Perdoar de Coração: A Ética do Discípulo de Cristo

Perdoar de Coração: A Ética do Discípulo de Cristo

A exigência radical do perdão evangélico como condição para a fraternidade e a paz

13 de Setembro de 2026 — 24º Domingo do Tempo Comum (Mt 18,21-35)


“É assim que meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão.” — Mt 18,35

A liturgia deste 24º Domingo do Tempo Comum nos coloca diante da lógica do Reino: o perdão não é uma questão quantitativa, mas uma exigência qualitativa e ética de quem se tornou autêntico discípulo de Jesus Cristo. Diante da imensidão da dívida que Deus nos perdoa, somos chamados a abandonar a exigência implacável dos nossos direitos para oferecer a misericórdia que restaura a saúde da alma, das famílias e da sociedade.

A Implacabilidade Humana versus a Justiça do Evangelho

A Postura Humana e Implacável A Ética do Discípulo de Cristo
  • Rigidez na exigência dos próprios direitos e esquecimento dos deveres.
  • Busca por vantagens pessoais e contabilidade do ressentimento (“até sete vezes?”).
  • Exigência de humanidade dos outros sem saber corresponder de igual forma.
  • Recusa em conceder o perdão enquanto se pretende recebê-lo de Deus.
  • Perdão qualitativo e sincero, oferecido “de coração” a partir do exemplo de Jesus.
  • Reconhecimento de que somos os grandes devedores perdoados por Deus.
  • Promoção da saúde psíquica, da harmonia social e da convivência cristã.
  • Concessão do que é devido ao próximo segundo a justiça e a misericórdia do Evangelho.

Pontos Fundamentais para a Reflexão

  • Superação do Calculismo de Pedro: É fácil imitar a indagação matemática de Pedro, mas a ética cristã exige ultrapassar os limites contábeis e abraçar o perdão como atitude permanente de vida.
  • A Consciência da Nossa Dívida com Deus: O grande devedor da parábola representa cada um de nós diante do Pai. Olhar para a imensidão da graça recebida nos torna mais compreensivos e tolerantes com as falhas do próximo.
  • Frutos Concretos do Perdão no Cotidiano: O perdão sincero previne tragédias, pacifica os lares e cura os relacionamentos. Nossos cemitérios teriam menos sepulturas e nossas famílias mais felicidade se soubéssemos perdoar de coração.
  • Condição para Pedir a Misericórdia Divina: Não tem o direito de pedir o perdão de Deus quem se recusa a concedê-lo ao irmão; a paz reina e a fraternidade cresce onde a reconciliação é praticada normalmente.
“Nossos cemitérios teriam menos sepulturas e nossos lares mais felicidade, se soubéssemos perdoar de coração, como aliás, queremos ser perdoados. Pergunto então, por isso: ‘já somos verdadeiramente cristãos?'”

Que o Senhor nos conceda a graça de sermos verdadeiros discípulos, capazes de perdoar de coração para que a Sua paz reine em nossas vidas e comunidades! Amém.


+ Dom Carmo João Rhoden, SCJ
Bispo Emérito de Taubaté, SP

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