Nós Devemos Nos Converter!

Nós Devemos Nos Converter!

O compromisso real com o Reino, a denúncia das aparências e o exemplo de humildade em Cristo

26º Domingo do Tempo Comum — Exortação Pastoral sobre Coerência, Conversão Contínua e a Cultura do Encontro (Ez 18,25-28; Fl 2,1-11; Mt 21,28-32)


“O ‘sim’ que Deus nos pede não é uma declaração teórica de boas intenções… Não adianta ser contra a corrupção e, depois, aproveitar-se dela. A conversão é um processo contínuo: só a sintonia com gestos concretos nos faz viver as bem-aventuranças!” — Dom Anuar Battisti

A liturgia do 26º Domingo do Tempo Comum dirige um apelo veemente ao nosso coração: Deus nos chama a edificar um mundo novo de justiça, fraternidade e paz. Diante desse convite, não bastam rituais externos, discursos moralistas ou o verniz das convenções sociais. O Evangelho exige uma resposta coerente, onde o nosso “sim” se traduza em vida doada, superação do egoísmo e serviço humilde a exemplo de Jesus Cristo.

Síntese Teológico-Pastoral da Liturgia do 26º Domingo

Passagem Bíblica A Ilusão da Religiosidade de Fachada O Fruto Autêntico da Conversão
1ª Leitura (Ez 18,25-28) Transferir responsabilidades, usar evasivas ou confiar na justiça passada enquanto se desvia do bom caminho. Assumir a responsabilidade moral do presente; o mau que se arrepende e pratica o direito conserva a própria vida.
Evangelho (Mt 21,28-32) A atitude dos sacerdotes e anciãos: um “sim” formal, legalista e protocolar, marcado pela autossuficiência e omissão no trabalho da vinha. A atitude dos publicanos e prostitutas: o arrependimento sincero diante da pregação, mudando de vida e precedendo no Reino.
2ª Leitura (Fl 2,1-11) Busca egoísta pelo interesse pessoal, arrogância, atitudes individualistas e fomento de discórdias e conflitos comunitários. Esvaziamento de si (kenosis), assumindo a condição de servidor com humildade, fraterno e focado no bem comum.

Eixos de Conversão e Vida Cristã Concreta

  • Superação das Hipocrisias Sociais: Não basta condenar o mal na teoria (como a prostituição ou a corrupção); é preciso combater as estruturas que exploram o ser humano e recusar tirar proveito de desvios éticos no cotidiano.
  • A Humildade Contra o Espírito de Beligerância: O cristão deve evitar o sentimento de superioridade moral e a propagação do ódio — inclusive no ambiente digital e redes sociais —, promovendo sempre a cultura do encontro.
  • A Misericórdia Paciente do Pai: Mesmo quando dizemos “não” a Deus por fraqueza ou comodismo, Ele aguarda com paciência o nosso retorno, acolhendo com amor qualquer decisão sincera de conversão.
  • Ação Eficaz sobre Ritos Vazios: Tradições e rituais sem vivência interior não conduzem ao céu; a salvação é alcançada por gestos concretos de amor, solidariedade e sintonia com as Bem-aventuranças.
“Grave seria considerar-nos superiores aos demais, alimentando espírito de beligerância — também nas redes sociais — e propagando a discórdia, em vez de promover a cultura do encontro fraterno.”

Que o Senhor nos conceda a graça de uma conversão diária e sincera, para que nos tornemos autênticos discípulos-missionários do Seu Reino de paz e justiça! Amém.


+ Anuar Battisti
Arcebispo Emérito de Maringá, PR

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