Devemos Trabalhar na Vinha do Senhor!

Devemos Trabalhar na Vinha do Senhor!

Reflexão Pastoral para o XXVII Domingo do Tempo Comum — A Urgência da Conversão Pastoral e a Purificação das Estruturas Eclesiais

A Grave Advertência dos Vinhateiros, o Perigo da Usurpação Espiritual e o Roteiro da Purificação Eclesial (Mt 21,33-43; Fl 4,6-9)


“A vinha confiada pelo Pai não é apenas uma estrutura externa a ser convertida; é a própria comunidade eclesial… Quando a Igreja adota em sua vida interna as lógicas corporativas da eficiência burocrática, o carreirismo e a obsessão pelo controle, ela deixa de ser o sacramento da salvação para se tornar um conglomerado de gestos que sufocam a vida divina.” — Dom Anuar Battisti

A Parábola dos Vinhateiros no Evangelho de São Mateus (Mt 21,33-43) nos convoca a um exame de consciência sincero e incômodo. A advertência de Cristo não é dirigida apenas aos adversários do passado, mas primeiramente à própria Igreja. Somos chamados a reconhecer que não somos proprietários da vinha, mas administradores dependentes da graça, desafiados a superar a usurpação espiritual e a mentalidade do mundo.

Da Usurpação do Espírito à Purificação na Pedra Angular

Dimensão da Vida Eclesial A Ameaça da Usurpação Espiritual A Resposta Evangélica de Renovação
Gestão e Autoridade Burocracia corporativa, carreirismo, busca por prestígio social e uso do poder sacralizado para dominação. Serviço, diaconia sincera, humildade e autoridade exercida como doação a exemplo de Cristo.
Comunidade e Pessoas Clericalismo, feudalismo pastoral, moralismo rígido que apedreja e disputas egóicas entre movimentos. Espaço de acolhida incondicional aos feridos, sinodalidade, escuta atenta e centralidade nos pobres.
Evangelização e Missão Substituição do Kerygma libertador por ideologias, rigidezes ou estratégias de propaganda mundana. Anúncio fiel fincado na Pedra Angular, alinhado à sabedoria da Cruz e gerador de frutos de santidade.

Eixos para uma Autêntica Conversão Pastoral

  • Reaprender a Humildade e a Sinodalidade: Libertar a Igreja da autorreferencialidade e do sucesso humano, assumindo a escuta e a transparência em todas as suas estruturas.
  • Os Pobres no Centro: Colocar os descartados e crucificados de hoje no coração do agir pastoral, rejeitando o moralismo que exclui e descarta.
  • Orientação aos Filipenses (Fl 4,6-9): Ocupar o pensamento com o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, virtuoso e digno de louvor para purificar a convivência eclesial.
  • A Eucaristia como Fonte Inabalável: Diante do Altar, receber o Crucificado como única Pedra Angular, reconhecendo com temor e tremor que nada possuímos, mas tudo recebemos.
“Cristo não prometeu a sua Igreja a aprovação dos reinos deste mundo, mas a fecundidade que nasce do mistério da Cruz e da Ressurreição.”

Que o Espírito Santo liberte a nossa amada Igreja de todas as atitudes mundanas e nos torne servidores apaixonados, capazes de entregar ao Pai os frutos maduros do amor, da unidade e da santidade! Amém.


+ Anuar Battisti
Arcebispo Emérito de Maringá, PR

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