A Igreja em Saída e o Fruto da Solidariedade: A Coleta do Mês Missionário

A Igreja em Saída e o Fruto da Solidariedade: A Coleta do Mês Missionário

Corresponsabilidade Batismal, Destinação Universal dos Recursos e o Mandato Evangélico Ad Gentes

Reflexão Teológico-Pastoral para o Ponto Alto do Mês Missionário e da Coleta Mundial das Missões


“Como nos lembra a Tradição da Igreja, a missão se faz com os pés dos que vão, as mãos dos que ajudam e as orações dos que ficam. O gesto solidário deste final de semana reafirma que a Igreja Católica é essencialmente missionária e que a generosidade é a linguagem universal do amor de Deus.” — Dom fr. Diamantino Prata de Carvalho, OFM

A celebração do Mês Missionário atinge seu ápice no penúltimo final de semana de outubro com a realização da Coleta Mundial das Missões em todas as paróquias, comunidades e capelas do Brasil. Promovida nacionalmente pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM) em íntima cooperação com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), essa mobilização não se reduz a uma simples arrecadação de fundos. Trata-se do transbordamento visível do compromisso batismal de todo o Povo de Deus, assumindo a vocação de uma “Igreja em saída” que une a oração fervorosa, a formação consciente e o desprendimento material na promoção do Reino de Deus e da justiça social.

Pilares e Destinação do Fundo Mundial de Solidariedade

Eixo de Sustentação Dimensão Espiritual e Comunitária Impacto Concreto no Campo de Missão
Pés dos que Vão
(Evangelização Ad Gentes)
Envio de missionários e missionárias para regiões isoladas, fronteiras e territórios de minoria cristã. Sustento direto de obreiros, catequistas e formação de novas lideranças eclesiais locais.
Mãos dos que Ajudam
(Obras Sociais e Infraestrutura)
Gesto de partilha no altar que conecta o leigo à dor e às alegrias de comunidades distantes. Manutenção de creches, escolas, postos de saúde, abrigos e construção de capelas na Amazônia, África e Ásia.
Orações dos que Ficam
(Sustento Espiritual)
Sintonizar o coração da paróquia com a missão universal por meio da intercessão diária. Fecundidade espiritual das missões e perseverança dos fiéis em meio a perseguições e dificuldades.

Eixos de Vivência Missionária no Cotidiano

  • Renovação do Compromisso Batismal: Recordar que a missão não é monopólio do clero ou de religiosos, mas dever sagrado e vocação de todos os batizados.
  • Desprendimento e Justiça Social: Vivenciar a Coleta Mundial das Missões como um ato de culto e justiça em favor dos territórios de extrema vulnerabilidade social e espiritual.
  • Testemunho no Dia a Dia: Prolongar o espírito do Mês Missionário durante todo o ano no trabalho, na família e na sociedade, cultivando o olhar atento ao marginalizado.
  • Comunhão Eclesial Universal: Fortalecer os laços com o Fundo Mundial de Solidariedade das POM, assegurando que o Evangelho chegue às periferias mais distantes da terra.
“A realização da coleta neste final de semana não encerra o compromisso do Mês Missionário; pelo contrário, deve impulsionar a vida comunitária durante todo o ano. Ser missionário no cotidiano significa cultivar o olhar atento às necessidades do próximo, acolher os marginalizados e testemunhar a fé…”

Deus de Misericórdia, que enviastes o Vosso Filho para a salvação do mundo, abençoai o Mês Missionário e as Pontifícias Obras Missionárias, renovai em nós o ardor batismal e fazei da nossa generosidade um canal de vida, paz e esperança para todos os povos! Amém.


+ Dom fr. Diamantino Prata de Carvalho, OFM
Bispo Emérito da Campanha, MG

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