A Messe é Grande e Todos Somos Chamados
“A missão não pertence a poucos escolhidos, mas a um povo inteiro que foi levado sobre asas de águia.”
Existe uma imagem no Livro do Êxodo que me acompanha há muitos anos. Deus fala a Moisés e diz: “vos levei sobre asas de águia e vos trouxe a mim” (Ex 19,4). O Senhor não disse que abriu um caminho e esperou que o povo chegasse por conta própria; Ele disse que carregou, sustentou e trouxe. É Deus quem toma a iniciativa.
A liturgia deste 11º Domingo do Tempo Comum nos coloca diante de um programa de vida perfeitamente encadeado: Deus escolhe um povo, esse povo é reconciliado pelo sangue de Cristo e, uma vez reconciliado, é enviado. Não há missão sem encontro, assim como não há envio sem pertença.
1. Um Povo que Não se Fez a si Mesmo (Ex 19,2-6)
Antes de pedir qualquer cumprimento de mandamento no Sinai, Deus traz ao povo uma memória: “Vistes o que fiz aos egípcios”. Na lógica da aliança divina, a obrigação nasce da gratidão, nunca do medo.
Israel não chegou ao monte sagrado por mérito próprio, mas porque foi carregado. E é a esse povo que é feita uma das promessas mais belas da Escritura: “sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa”. Essa vocação sacerdotal e mediadora chega até nós hoje pelo Batismo. Cada batizado foi resgatado de uma escravidão e trazido a Deus; logo, cada um possui uma missão intransferível.
2. Amor na Fraqueza: Cristo Morreu pelos Ímpios (Rm 5,6-11)
São Paulo escreve aos Romanos desarticulando qualquer ilusão de autossuficiência espiritual. Cristo não morreu pelos que já tinham se convertido, mas pelos fracos e pelos pecadores quando ainda eram inimigos.
“Este é o termômetro do amor de Deus: Ele não espera o outro melhorar para se aproximar. A reconciliação já é uma realidade presente. Sabendo disso, o cristão não pode viver na culpa paralisante ou na vergonha que imobiliza.”
3. O Olhar de Jesus que Precede o Envio (Mt 9,36-10,8)
O Evangelho de Mateus nos mostra que, antes de chamar ou dar qualquer missão, Jesus olha para as multidões e se compadece. Ele não enxerga números ou meras categorias de problemas, mas pessoas cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. Quem não aprende a olhar o próximo com os olhos compassivos de Jesus não está pronto para ser enviado.
Diante do realismo pastoral da colheita, Jesus estabelece uma ordem clara de passos para a ação missionária:
| Passo da Missão | A Dinâmica do Evangelho |
|---|---|
| 1º Rezar | “Pedi pois ao dono da messe…” A missão começa compulsoriamente de joelhos, na oração comunitária e pessoal. |
| 2º Agir | Jesus chama os Doze e os envia com autoridade para curar, acolher e anunciar a proximidade do Reino. |
| 3º Gratuidade | “De graça recebestes, de graça deveis dar.” Não há espaço para o cálculo ou interesse; a paz e o perdão recebidos devem ser partilhados. |
Conclusão: Onde Está a Nossa Messe?
Este domingo nos intercala uma pergunta prática: qual é o campo que Deus nos chama a trabalhar hoje?
- Para alguns, a messe é a própria família, onde há corações cansados que precisam de esperança;
- Para outros, é o ambiente de trabalho, onde muitos desconhecem o amor gratuito de Deus;
- Para outros, ainda, são os hospitais, as periferias, as escolas e os presídios.
O chamado de Cristo é dirigido a cada um de nós, povo reconciliado e carregado sobre asas de águia. A colheita nos espera.
Caminhai no Senhor!