Tenhamos um Olhar Compassivo como o de Jesus!
“A ternura no olhar de Jesus para as multidões é a perfeita união entre uma percepção aguçada da dor do outro e um afeto carinhoso.”
Neste 11º Domingo do Tempo Comum, a Palavra de Deus nos recorda a Sua presença constante no mundo e a Sua firme vontade de oferecer aos homens, a cada passo, a vida e a salvação. No entanto, a intervenção de Deus na história humana concretiza-se através daqueles que Ele chama e envia, para serem sinais vivos do Seu amor e testemunhas da Sua bondade. A liturgia reafirma que somos o povo eleito do Senhor, de quem Ele se aproxima com amor sem medida e misericórdia eterna.
O Itinerário da Aliança e da Missão
As leituras de hoje constroem uma catequese profunda sobre a eleição, a gratuidade do amor e o mandato do anúncio do Reino.
1. O Preâmbulo da Aliança (Ex 19,2-6a)
A primeira leitura nos apresenta o Deus da “aliança”, que elege um Povo para com ele estabelecer laços de comunhão e de familiaridade. Recém-libertado da escravidão no Egito, o povo encontra-se no deserto do Sinai enquanto Moisés sobe à montanha para se encontrar com o Senhor.
A fala de Deus se divide em dois momentos essenciais:
- A Memória: Uma recordação afetiva dos feitos de Deus em favor do povo, resumida na libertação do Egito;
- A Exortação: Um convite para que escutem Sua Palavra e permaneçam fiéis à Aliança, preparando o coração para acolher o dom da Lei.
A Israel é confiada uma missão sacerdotal: ser um sinal claro de Deus no meio de todas as outras nações.
2. O Fundamento no Amor Gratuito (Rm 5,6-11)
São Paulo sugere que a comunidade dos discípulos é, fundamentalmente, uma comunidade de pessoas a quem Deus ama com um amor eterno, inquebrável, gratuito e absolutamente único. Esse amor se manifestou na morte de Seu Filho, que entregou a Sua vida por nós quando ainda éramos pecadores. A Sua ressurreição é o que provoca em nós uma verdadeira transformação de vida.
O “Discurso da Missão” (Mt 9,36-10,8)
No Evangelho, é o próprio Jesus que se move ao encontro da multidão. Ao vê-la, Ele se enche de compaixão e age. O Senhor dá início à formação do novo Povo de Deus, edificando-o sobre o alicerce dos doze Apóstolos (que representam a totalidade da Igreja).
“Jesus vê a multidão como ‘ovelhas sem pastor’, metáfora que evoca seres indefesos e necessitados de proteção. Seu olhar é um convite à segurança e ao descanso, transmitindo a certeza de que há alguém que se importa com a condição de quem se sente desamparado.”
A missão confiada aos discípulos é a exata continuidade das ações do Mestre, integrando anúncio espiritual e alívio do sofrimento humano:
| O Conteúdo do Anúncio | As Obras da Missão |
|---|---|
| “A proximidade do Reino dos Céus” (Mt 10,7b) | • Curar os enfermos • Ressuscitar os mortos • Purificar os leprosos • Expulsar os demônios (Mt 10,8) |
A missão começa pelas ovelhas perdidas da casa de Israel, mas, pela compaixão universal do Senhor, a salvação se estenderá a todos os povos da terra.
Conclusão: Vencer a Anestesia do Coração
Hoje somos chamados a ter o mesmo olhar de Jesus. O olhar terno de Cristo é a manifestação de um cuidado visceral: um olhar que não apenas entende o sofrimento de forma intelectual, mas sobretudo acolhe o sofredor e se move concretamente para aliviá-lo.
Nós, discípulos de Jesus, nestes tempos de tanta indiferença e de anestesiamento de tantos corações, só faremos diferença no mundo se nos deixarmos encantar e transformar pelo olhar comovente de Jesus!
Tenhamos um olhar compassivo como o de Jesus!
Caminhai no Senhor!