Terça-feira da Semana Santa: Sermão do Encontro
O encontro com Cristo que revela a verdade profunda do coração.
Irmãos e irmãs, avançamos na Semana Santa. Já não estamos na aclamação triunfal; entramos agora no ambiente tenso da proximidade da cruz, onde as máscaras caem e as intenções são desveladas. O Evangelho de hoje (Jo 13,21-38) nos mostra Jesus “perturbado em espírito” ao anunciar: “Um de vós me entregará”.
A Noite de Judas e a Luz do Servo
Ao receber o pedaço de pão, Judas sai e o evangelista anota uma frase curta e cortante: “Era noite” (Jo 13,30). Não se trata apenas do horário, mas da escuridão da alma que se afasta da Luz do Mundo.
- O Servo Luz (Is 49,1-6): A primeira leitura nos apresenta o Servo escolhido desde o ventre para ser “luz das nações”. Jesus personifica essa missão, mas nos recorda que não se pode iluminar os outros se o próprio coração estiver nas sombras.
- A Escolha Radical: O encontro com Cristo não permite neutralidade. Ou nos aproximamos da Luz por inteiro, ou mergulhamos na escuridão.
Pedro: O Amor que ainda não conhece a Fraqueza
Pedro, em sua generosidade impulsiva, promete dar a vida por Jesus. O Senhor, porém, responde com o realismo da graça: “Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes”. Pedro ama, mas ainda confia demais em sua própria força e pouco conhece sua fragilidade humana.
“É possível estar fisicamente perto de Cristo e, ao mesmo tempo, interiormente distante d’Ele. O que faz a diferença não é a presença nos ritos, mas a verdade do coração.”
Um Encontro que Desinstala
O “Sermão do Encontro” nos obriga a perguntar: como está o nosso encontro com Jesus? É uma convivência superficial ou uma transformação real?
- A Humildade necessária: O encontro autêntico passa por reconhecer: “Senhor, eu posso falhar. Eu preciso de ti”.
- A Fidelidade de Cristo: Mesmo conhecendo a traição de Judas e a negação de Pedro, Jesus não recua. O amor d’Ele não depende da nossa perfeição, mas exige a nossa verdade.
Que não saiamos da presença do Senhor como Judas, entrando na noite, nem apenas com promessas frágeis como Pedro. Que permaneçamos com um coração sincero, cientes de que não é a nossa força que nos sustenta, mas a fidelidade dAquele que nos ama até o fim.
Amém.